Memorial de Fachadas, 2018/20

Na pequena cidade de Três Ranchos, algumas casas resistem junto às memórias d’outro tempo, quando os dias passavam sem que lhes notassem as horas. Anos depois, no lugar onde um certo progresso veio fazer ruínas, encurralar o rio e interromper os trens, essas casas contam as histórias dos que um dia abrigaram.

Em algumas dessas casas morou a minha avó Eunice. Na estação onde parava o trem uma família espera alguém chegar ou partir, mas há muitos anos já não chega nem parte ninguém, nem gente, nem trem. 

Na minha última visita a Três Ranchos meu pai me contou que quando voltava pra casa de férias do internato a primeira coisa que tinha de fazer era perguntar onde estava morando agora a mãe, que mudava de casa a cada estação.

Caminhamos pela cidade enquanto ele me mostrava cada uma das casas. Algumas já não serviam mais como lugar de morar, outras já eram ruína, mas a maioria ainda estava lá. O memorial de fachadas nasce então como um projeto, uma proposta de memorial vivo, em que as fotografias de acervo familiar de alguns moradores de Três Ranchos passam a habitar estas e outras casas que antes abrigaram minha avó Eunice e outros tantos que passaram por cada uma delas.