



Três Ranchos, 2015/19
O pequeno município de Três Ranchos, localizado no extremo sudoeste do estado de Goiás, tem uma origem incerta, com sua primeira menção registrada datando de 1874, referindo-se a uma fazenda de mesmo nome. Em Três Ranchos, quando ainda não era cidade ou mesmo distrito, um certo Sr. Geraldo Elói, um dos primeiros habitantes da cidade, contou que seu avô havia pedido a um cavaleiro que fosse à cidade mais próxima em busca de informações sobre o dia, mês e ano em que ele e seus concidadãos estavam vivendo.
A chegada do “progresso” trouxe uma nova relação com o tempo, ao mesmo tempo em que rompia com outros elementos fundamentais da vida: os rios, os trens e a música. Olhando principalmente para esses elementos e escutando os habitantes de Três Ranchos, agrupo e transformo o material criado e coletado ao longo de muitos anos, e crio o que chamo de um “Romance-Folhetim”, no qual exploro as estações do ano e seus limites sutis com base em memórias de um lugar que emerge atemporal. Os arquivos coletados e criados ao longo dos anos são organizados, sobrepostos e trabalhados com uma dimensão poética, sem a preocupação de apresentar uma história ancorada na verdade, mas sim de evocar as memórias do território e de seus habitantes. Remetendo às relações ancestrais, este Folhetim não delimita uma data específica, aquela que o cavaleiro do avô do Sr. Elói ainda continua buscando.
Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, 2019 - Belém


Três Ranchos: más allá del fin del mundo
Centre Cultural Lá Bòbilla, 2022 - Barcelona

