Ilustríssimos, 2021

Das tantas miradas às mais de 12mil fotografias que guardo do arquivo público de Belo Horizonte, por mais de ano me chamou atenção um tipo de imagem recorrente neste arquivos: a presença forte de crianças nos eventos políticos, seja na prefeitura ou em eventos externos, de inauguração ou apresentação de qualquer coisa.
Presença esta que, sabemos bem, serve à uma “humanização” dos senhores governantes, politicagem. De todo modo, foram as crianças que me chamaram a atenção, a presença que não faz pose, desatenta quando quer e as vezes atenta no que ninguém nota, assumidamente (e comicamente) entediada ou curiosa, uma presença que não participa ativamente dessa mesma politicagem que as faz ilustres.
Me lembrei do menino fardado exaltado pelo atual (des)governante da república, levado a carregar um fuzil de brinquedo no palanque, posando pra foto, com uma cara tristemente assustada. As crianças do arquivo, ao contrário, não me fizeram triste, algumas inclusive me fizeram rir. Decidi, então, destacá-las. Destacar essa presença sutil, mas cheia de agência. Destacar, também, recorrência dessa presença, que é até hoje usada para a propaganda política.